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terça-feira, 16 de junho de 2015

Doenças que os gatos podem transmitir às pessoas

As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas do animal para o homem e, no que
toca aos gatos, existem, infelizmente, algumas doenças que ele podem transmitir para os donos. É importante informar aos donos de felinos, porque mais vale prevenir do que remediar!
Alergias


Os felinos produzem glucoproteína Fel d1 que está presente na   saliva e, consequentemente, no pêlo . Infelizmente para alguns donos , esta substância desencadeia uma série de rea ções alérgicas que podem ir de simples espirros, erupções cutâneas e irritação das vias respiratórias, até asma, em casos mais graves. Se esta situação se verificar em qualquer membro da família, os felinos não são a melhor opção em termos de animal doméstico. A não ser que tenham um gato “Siberiano” ou “Bosque de Sibéria” como também é conhecido – estes privilegiados não produzem a glucoproteína!

Toxoplasmose


A toxoplasmose existe há muito tempo e os felinos são um dos seus hospedeiros preferidos. Doença parasitária, a toxoplasmose é provocada por um protozoário – o toxoplasma gondii – que infecta aqueles felinos que comem aves, ratos ou carne contaminada. A transmissão às pessoas é efetuada através das  fezes . Como gatos são o expoente máximo da limpeza, dificilmente encontrará vestígios de fezes (e consequentemente o toxoplasma gondii) no pêlo, ou seja, a única forma de contaminação é através do contato que possa existir com a  caixa de areia. De fato, uma em duas pessoas é infectada com toxoplasmose, que se manifesta como uma espécie de constipação, durando apenas 2 ou 3 dias. No entanto, a situação pode complicar-se se a pessoa é uma mulher grávida, isto porque a toxoplasmose pode provocar um aborto ou lesões no feto, um cenário que se agrava se for a primeira gravidez. Mas a toxoplasmose pode ser controlada, os ovos de toxoplasma só começam a ser infestivos 24 horas depois de os terem evacuado, por isso, se as   fezes forem limpas logo após a eliminação, ou pelo menos uma vez por dia, os riscos de contaminação são reduzidos drasticamente. Para uma precaução extra, utilize sempre luvas descartáveis quando limpar a caixinha de areia e opte por desinfeta-la ou escaldá-la; se o gato tiver liberdade de andar no jardim, evite os locais que ele já predefiniu como WC; lave sempre muito bem as mãos depois de   fazer festas no seu bichano  ; por mais que ele possa gostar, nunca   dê carne crua. Estas precauções também se aplicam às futuras-mamães, por isso, não tem de   despachar seu gatinho apenas por estar grávida!
Dermatomicose ou “Tinha”

A dermatomicose ou “tinha” como é mais conhecida, é uma infecção cutânea provocada por fungos parasitas (e microscópios), denominados dermatófitos. Uma vez infectados os gatos podem transmitir a “tinha” aos humanos, não apenas através do contato direto, mas também através do manuseamento de cobertores, mantas ou tapetes onde eles costumam  deitar. Esta doença manifesta-se na pele  , principalmente nas zonas do corpo que tem mais contato   direto com os felinos, ou seja, as mãos, braços e rosto, com a formação de pequenas manchas vermelhas  . Apesar de não ser muito grave (é facilmente tratado com um anti-fúngico específico), a “tinha” espalha-se muito rapidamente e é altamente contagiosa, daí que deve ser tratada o mais depressa possível. No tratamento as pessoas e o gato devem ser tratados ao mesmo tempo e durante esse tempo todas as pessoas da casa devem evitar o contato direto com o animal. Uma curiosidade: é mais frequente a “tinha” ser transmitidas aos humanos através dos gatos persas, siameses e angorás.
Sarna Sarcóptica

Apesar de afetar mais os cães e de raramente surgir em gatos, alguns felinos também chegam a sofrer de sarna sarcóptica – uma dermatose parasitária causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. Altamente contagiosa, esta infecção pode ser transmitida entre animais afetados, através de instrumentos de higiene mal limpos ou em locais onde existem ou já existiram animais infectados. A sarna sarcóptica manifesta-se na nossa pele deles em pequenas crostas que levam à perda de pêlo e a um aspecto  e cheiro  cada vez mais desagradáveis. E como dá muita comichão, torna a situação ainda pior ao coçar e mordiscar as áreas infectadas, criando feridas bastante feias. Para  que não transmitam a doença a ninguém (outras animais e humanos),   obrigatoriamente devem ser isolados  e o tratamento terá de ser feito sempre com recurso de luvas e roupa descartável.
Esporotricose

Uma das micoses subcutâneas mais vulgares, a esporotricose tem na sua origem o fungo Sporothrix schenckii. Presente no solo, está também associado a várias plantas e madeira que podem facilmente picar os felinos sem eles sequer darem conta! O resultado? Nódulos e pápulas inflamadas que podem ficar na superfície da pele e cicatrizar por si só ou que podem evoluir para feridas traumáticas e profundas, atingindo, para além da pele, os gânglios, ossos e órgãos internos. Como a esporotricose é contagiosa, aconselho vivamente aos donos tratarem os seus gatos com luvas até estiveram completamente curados !
Toxocariose

Causada pelo parasita Toxocara. cati, cujos ovos os felinos ingerem sem saber  , as larvas são libertadas e crescem no  intestino  até se tornarem vermes adultos . Aproximadamente 40 dias depois, eles começam a eliminar milhares de ovos através das   fezes e é aí que surge uma possível contaminação dos humanos. Isto acontece através da manipulação da   liteira ou do contacto com locais públicos onde eles possam  ter estado, caso dos passeios, jardins ou zonas com areia, sendo as crianças mais suscetíveis, uma vez que brincam no chão e levam muitos objetos à boca. Nas pessoas contaminadas as larvas não se desenvolvem até à fase adulta, ficam-se pela fase larvar  que,   quer dizer Síndrome de Larva Migrans Visceral. Depois de libertadas, as larvas entram no sangue e infiltram-se em vários órgãos, originando o aparecimento de granulomas parasitários, reações alérgicas e sintomas como febre intermitente, diminuição ou aumento de apetite, dores musculares, dor abdominal, tosse, anemia ou lesões oculares. No entanto, esta doença é facilmente tratada. Por outro lado,  a toxocariose apenas afecta 10% dos gatos adultos e 25% dos gatinhos com menos de 3 meses de vida.
Ancilostomíase

Os felinos pegam esta infecção através do parasita A. Tubaeforme, que pode entrar para os seus organismos através da placenta, da pele, da ingestão de matéria orgânica com restos fecais de animais infectados ou através da amamentação, se a   mãe estiver igualmente infectada. Esta doença é mais propícia em zonas de praia e terrenos arenosos, onde eles andam  livremente, enterrando as fezes onde  os apetecer. Nos felinos, a ancilostomíase manifesta-se através do endurecimento da pele, principalmente das áreas do   corpo que têm mais contato com o solo, tosse rouca e úmida, apatia, fadiga, palidez das mucosas, diarreia, perda de peso, vômitos esporádicos ou atraso no crescimento. Como zoonose que é, a ancilostomíase pode ser transmitida aos   humanos se estes estiverem em contacto com solo ou areia infectada. Nas pessoas esta doença chama-se “larva migrans cutânea” e, tal como o próprio nome indica, manifesta-se apenas na pele (normalmente pés e mãos) através da formação de pápulas e/ou lesões subcutâneas, que uma vez diagnosticadas são facilmente tratadas.

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